Eu não tenho patentes nem ações da Faber Castel
Não sou concorrente dela, mas eu faço o meu papel
No jornal Primeiramão tenho as mesmas finalidades
Só que vendo a idéia certa com mil e uma utilidades
Tipo bombril, cobertor pra quem tá com frio
Eu aqui você aí e o Bill comanda o fio
Eu falo palavrões e a sua vizinha treme
Eu xingo o presidente, depois tiro a PM
Viajo de avião, carro, ou pelos ares
Rimo em várias línguas de Brasil a Buenos Aires
Com terra ou sem terra eu também sou movimento
Pra muitos a consciência, outro grande tormento
Pareço o Nelson Rubens ou a Fifi na esquina
Rimando a sua brecha, fofocando mais que as minas
Quero abraçar o mundo com apenas uma mão
Pra fazer a Kilométrica versá uma canção
Pegar um microfone, improvisar um freestyle
Com palco ou sem palco, dentro ou fora do baile
A diferença é que o Estadão funciona
Eu roubo a cena da TV até em noites de insônia
Pelo vento ou por uma grande onda sonora
Não respeito seu horário, eu chego a qualquer hora
Venho pra destruir toda a alienação
A terra vai borbulhar como um vulcão em erupção
Pular, pipocar que nem milho em panela
Sem novela, eu corto a força e você fica à luz de vela
Tente me derrubar, aí
Não é tão fácil, não
Eu uso a força e não respeito o apagão
Tenho histórias pra contar, mais que o velho pescador
Mais lições pra te ensinar, mais do que seu professor
Tô sendo procurado por toda cidade
Por criança, adolescente até o tiozinho da terceira idade

Já ouviu falar de mim?
Mas não sabe quem eu sou
Você sabe de onde eu vim?
Mas não sabe pra onde vou
Eu tô chegando, se prepara
Eu sigo a idéia e a rima não pára

(Réu)
Sou a fusão, a junção dos quatro elementos
Suprindo a sua mente alimentando-a com conhecimentos
Estou nos muros, nas ruas, em alto-falantes
Incomodando, atormentando a classe dominante
Tenho mais ordem e progresso que a bandeira
Sou tão popular quanto a música brasileira
O ritmo e a poesia em sintonia
Combatendo a desigualdade e a hipocrisia
Sou triste, alegre, louco com o que vejo
Não sou do samba, mas tenho suingue e molejo
Se os três elefantes incomodam muita gente
Os quatro elementos incomodam muito mais
Um remédio eficaz pra abrir seu apetite
A rima real da rua que a televisão omite
Eu sou a voz que atormenta o subconsciente
A terapia, a cura pro moleque doente
Estou presente na sua vida a todo momento
Os quatro elementos, a cultura em movimento
Facínoras estudam uma forma pra me usar
Me colocar na mídia, me comercializar
Virar lixo fonográfico, artista pornográfico
Produto que dá lucro e deixa o povo eufórico
É desse jeito que o sistema funciona
Com o lixo fonográfico seu ouvido infecciona
Eu monto uma comunitária, invisto na cultura
Quebro a programação e acabo com a tortura
Tipo bico de festa, eu chego entrando
Tenho um arsenal de rimas pra chegar bombardeando
Eu não quero ser pastor, nem quero te dar sermão
Só quero o ser humano se abraçando como irmão!
Sabem quem eu sou?
A nossa evolução
Renovação já!
Basta ser malandro para perceber

Já ouviu falar de mim?...

Vidéo Incorrecte?